Estava preparando um post sobre a histórica vitória do democrata Barack Obama, 47. Mas depois de ver um texto de meu amigo Leandro Lopes, senti que vocês merecem uma análise mais profunda sobre esta eleição. E o post que ele fez está ótimo. Confiram: http://leandronego.wordpress.com
Jogo político nº2/Novembro 2008
Publicado 2 novembro, 2008 r Rikardy Deixar um ComentárioTags: Jogo Político, Lula, PMDB, PSDB, PT, Serra
Coligação ganha eleição?
Uma das coisas que movimenta – e muito – o jogo político são as coligações para disputa da eleição, seja ela qual for. É um trabalho de bastidor fortíssimo, acordos são selados para depois das eleições, troca de favores se assim podemos dizer. Enfim, coisa que o grande público não tem informação. Mas uma articulação política bem feita e com grandes partidos garante a vitória? Nem sempre. Temos dois casos recentes que mostra os dois lados, o da vitória e o da derrota de uma coligação forte.
José Serra contra a onda Lula

Caso bem conhecido, 2002, o ano da sucessão de Fernando Henrique Cardoso, ano do “Agora é Lula” do “Lulinha paz e amor” – em relação ao banho de loja que deram no petista -, para enfrentar esta onda, FHC escolhe seu ministro da saúde, José Serra, para concorrer com Lula, o que não seria nada fácil. Com isso, José Serra articula uma grande coligação política chamada de “Grande Aliança” que reunia dois grandes partidos do Brasil, PSDB e PMDB. Serra tinha coligação forte, a máquina na mão – expressão de quando se é candidato da situação -, marketing forte, só faltava passar Ciro Gomes, então no PPS, Anthony Garotinho, então no PSB e Roseane Sarney, do PFL. Com um tempo maior na TV – quase 10 minutos – Serra passou facilmente seus adversários nas pesquisas e foi ao segundo turno, razoavelmente perto com o candidato do PT. A grande aliança conseguiu levar o impopular Serra para o segundo turno contra a modesta coligação “Lula presidente” formada pelo PT, PCdoB e PL. O resultado? Todos já sabem: Lula ganha e bem de José Serra. Mas Lula passou algo parecido em 98, quando se coligou com Leonel Brizola e montou a “chapa dos sonhos” dos trabalhadores e perdeu em primeiro turno para o FHC. Na teoria a grande aliança é a maior coligação política que pode existir no Brasil hoje em dia, se considerar que PSDB e PT nunca vão se coligar nacionalmente.

A onda Kassab

Este fato é mais recente ainda, eleições municipais. Gilberto Kassab, atual prefeito de São Paulo, disputa sua primeira eleição – já que virou prefeito com a renuncia de Serra, em 2004 – e era praticamente desconhecido, diria que 7 entre 10 pessoas não o reconheceria na rua. Então o seu padrinho político, José Serra, usou sua influência no PMDB e convenceu o cacique Orestes Quercia a apoiar Kassab em troca de uma vaga no senado em sua chapa em 2010. Acordo feito, campanha na rua e na TV com um tempo considerável. A campanha dele fluiu muito bem, deixou de fora o presidenciável tucano em 2006, Geraldo Alckmin, e a ex-prefeita Marta Suplicy. Ganhou em segundo turno, com folga, e consegue a reeleição. Graças à coligação e ao marketing, especialmente, porque o Kassab não tem carisma nenhum e é muito diferente do que é na TV – não sei se é bom ou ruim.
Mas uma coisa que contou muito nos dois casos é o que posso chamar de reserva para o segundo turno. Serra perdeu porque conseguiu todos os votos que podia no primeiro turno, já no segundo não tinha de onde tirar, porque os candidatos derrotados seguiam mais a linha do Lula – tanto que o apoiaram no segundo turno. Kassab tinha, aproveitou a grande rejeição do PT em São Paulo e pegou votos dos malufistas e dos tucanos, uma reserva considerável. Coligação política é um jogo político difícil, nem sempre dá certo.
No último domingo assistimos a vitória do atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), vencendo de maneira esmadora a ex-prefeita Marta Suplicy (PT), surpreendendo a muitos. Com essa vitória, Kassab foi o primeiro prefeito reeleito da história de São Paulo desde que entrou em vigor a lei da reeleição, em 1998. Vice de José Serra na campanha de 2004, o democrata assumiu a prefeitura em 2006, quando Serra renunciou para disputar o governo do estado. O trabalho de Kassab, até agora, vem sendo bom, mas será que vai continuar assim?
Se analisarmos a história recente, todos os políticos que são reeleitos saem manchados do cargo e raramente elege seu sucessor, é o mal da reeleição, onde o político pode tomar atitudes impopulares sem se importa com votos, já que não pode se candidatar mais para este cargo. Só notar, Fernando Henrique Cardoso em 1994 foi eleito presidente em primeiro turno como o salvador da pátria graças ao plano real. Usando uma brecha na constituição, FHC consegue aprovar a lei da reeleição, em 97 e sai candidato em 98 e é reeleito em primeiro turno novamente e com votação maior. A partir de 98, a popularidade do presidente tucano caiu e caiu, tanto que não elegeu seu sucessor, José Serra. Lógico que nem todos os casos são assim, como por exemplo, o reinado tucano no governo do estado de São Paulo. Mas é bom ter cuidado, reeleição nem sempre é uma boa (para a população).

Após Klinsmann e Dunga assumirem as seleções alemã e brasileira, respectivamente, sem experiência alguma, chegou a vez de Diego Armando Maradona entrar no mesmo barco.
A diferença entre Maradona e os dois citados, no entanto, é que o argentino já teve uma curta experiência como técnico – e bota curta nisso, foram apenas oito jogos, salvo engano – no Racing em 1995, porém não suportou a pressão do cargo e retomou a carreira de jogador em seu clube do coração, o Boca Juniors.
Se precisar de crédito com o povo, o novo treinador da seleção argentina terá de sobra. O lema lá é “Deus no céu e Maradona na terra”, portanto, ele terá uma aparente tranqüilidade para tentar tirar a Argentina da desconfortável situação vivida nas eliminatórias.
Resta saber como será a reação da torcida argentina se “El Pibe d’ Oro” não atingir os objetivos que se espera dele. É uma incrível idolatria em jogo.
Cala a boca, Montenegro!
Publicado 22 outubro, 2008 r Felipe Deixar um ComentárioTags: Botafogo, Campeonato Brasileiro, Carlos Augusto Montenegro, Copa Sul-Americana

Todo o torcedor que se preze gostaria de ser um cartola de seu time do coração. Lá poderia palpitar sobre contratações, dispensas, entre tantas coisas que um dirigente faz. Porém, quando isso se torna realidade e a pessoa não tem auto-controle, ao invés de ajudar, só atrapalha.
Um dos maiores casos é o de Carlos Augusto Montenegro, vice-presidente de futebol e a partir do ano que vem, pela segunda vez, presidente do Botafogo. Apaixonado pelo clube, nunca mediu palavras para exprimir sua satisfação ou insatisfação com a situação de seu time.
Após a derrota no primeiro jogo das quartas-de-final da Copa Sul-Americana, para o Estudiantes de La Plata (ARG), o dirigente botafoguense afirmou que “sempre que chega nesta altura do ano, o time entrega o ouro” e insinuou que o grupo estava rachado e que havia um grupo liderado pelo meia e capitão Lúcio Flávio e outro pelo também meia Carlos Alberto. O grupo de Lúcio Flávio estaria defendendo a diretoria em relação aos atrasos de salário, já o grupo de Carlos Alberto cobra o pagamento imediato.
Não é a primeira vez que Montenegro faz acusações duras sobre o elenco alvinegro. Quem não se lembra daquela fatídica eliminação para o River Plate, na Sul-Americana do ano passado, na qual ele chamou os jogadores de “frouxos” e disse também que “não mereciam vestir a camisa do Botafogo”.
O dono do Ibope precisa começar a pensar mais antes de falar, pois além de tumultuar o ambiente, faz com que os jogadores percam totalmente a confiança nele. Se continuar assim, quando assumir a presidência e o clube não estiver bem, não duvido que ele demita atletas à rodo, só porque tiveram atuações apagadas em um ou dois jogos.
Vivemos em uma democracia, certo? Então, por que temos uma injustiça no sistema eleitoral? É meio contraditório, porque quem domina essa “democracia” são apenas três partidos. PMDB, PT e PSDB. Até para especificar mais, PSDB e PT, o PMDB é importante para legislar. Os sociais-democratas e os trabalhadores mandam no Brasil há 16 anos, praticamente, deram um jeito no Brasil, sem dúvidas, mas não é nada saudável para um país que saiu de uma ditadura. O domínio dos tucanos e dos petistas se deve ao fato dos brasileiros terem medo em mudar, até mesmo para eleger Lula (PT) foi difícil, quem dirá alguém fora desse círculo.
O Partido do movimento democrático é o mais forte dos três quando o assunto é governadores, prefeitos, deputados e senadores, mas quando é presidente o PMDB não tem força nenhuma. Depois que elegeu Tancredo Neves no colégio eleitoral em 85 – Sendo que Neves não chegou a tomar posse – o PMDB nunca conseguiu eleger ninguém. O problema deles é que eles não têm posição política fixa, trocam de lado por qualquer ministério, assim fica difícil ter um candidato forte para disputar a presidência. Por exemplo, até 2003 o PMDB era da base aliada do PSDB, inclusive se coligou com os tucanos para a candidatura José Serra, em 2002. Depois, quando Lula assumiu o PMDB fez charme, mas entrou para o governo Lula.
Outra coisa que é injusta com os partidos menores é o tempo na TV. Normalmente tem mais tempo na TV o partido que possui mais deputados, mas aí que está a falha, é um sistema viciado. Porque desde a existência desse sistema, esses três partidos têm mais deputados, ou seja, nunca um partido nanico conseguirá ser grande, a não ser um fenômeno eleitoral estupendo, mas para ganhar algo tem que ser de um desses 3 partidos ou estar coligado com eles. A democracia brasileira está viciada e uma maneira justa para pelo menos democratizar o sistema eleitoral é dividir igualmente o horário eleitoral para todos os partidos. Sou contra esse número imenso de partidos, mas já que os tem que pelo menos seja justo.
Foto: Divulgação dos partidos
A campanha aqui em São Paulo está pegando fogo, algo que está lembrando muito 98, onde Mário Covas atacava sem dó Paulo Maluf e deu certo. Só que neste ano esta tática não está dando certo para quem ataca, Marta Suplicy (PT) está bem atrás nas pesquisas e agora ataca para tentar atrair eleitores. Gilberto Kassab (DEM) se defende atacando também, isso vocês podem reparar nos comerciais de TV, principalmente nos de Kassab. Nas intervenções na televisão, normalmente são dois comerciais intercalados – passa um, depois passa de alguma marca e volta para do candidato – em um Kassab mostra propostas, no outro ataca a gestão Marta Suplicy (2001-2004). E Marta faz exatamente a mesma coisa, só quem em um tom muito mais agressivo que o adversário, sempre que pode ligando-o ao Paulo Maluf e ao Celso Pitta. E assim vão seguindo os ataques. Os candidatos não usaram o tempo extra para mostrar mais afundo suas propostas e sim para se atacarem. Para a “felicidade” do povo paulistano que vê uma ex-prefeitra insinuar que o atual prefeito é gay; e ver o atual prefeito acusar a prefeita de ser uma “Perua” que vai para Paris e larga a cidade. Campanha eleitoral é incrível, não é mesmo?
Peço desculpas pela falta de tempo para postar aqui, mas hoje vamos atualizar! Hoje quero dar uma dica para vocês que gostam de política. O blog do publicitário Duda Mendonça é uma aula de bastidores e como vencer uma eleição. Afinal, Duda conhece bem o sabor da vitória, foi o chefe das campanhas de Lula em 2002, Maluf para prefeito em 92, Marta Suplicy em 2000 e Celso Pitta em 96. Mas também aprendeu com os erros nas derrotas de Maluf em 98 e Marta Suplicy em 2004 – perdendo a reeleição, fato raro. Enfim, fica a dica para vocês www.blogdoduda.com.br , também é interessante para alunos de publicidade, afinal ele é um dos principais publicitários do país, não só na área de política. Deixarei alguns vídeos do Duda que marcaram grandes campanhas. Abraço!
Foi Maluf que fez, é Maluf que faz
João, um brasileiro
Os vovôs bons de bola do Brasileirão

Até pouco tempo atrás, um jogador de futebol que chegasse aos trinta anos era visto como um jogador em final de carreira, pois teria, no máximo, mais dois anos de atividade. Com o avanço da preparação física e fisiológica, este quadro se reverteu e a vida útil do atleta no esporte aumentou. Aproveitando as melhorias condições de treino e a escassez de grandes promessas, os trintões estão deitando e rolando nos gramados brasileiros.
No Brasileirão, o artilheiro da competição, Kléber Pereira, do Santos, já passou dos trinta há alguns anos. Seus principais concorrentes, o tricolor Washington e o palmeirense Alex Mineiro, também já ultrapassaram as três décadas. Não dá para deixar Túlio Maravilha de lado, que aos 39 anos e uma disposição de garoto, é o grande artilheiro da Série B.
Não é só no ataque que os veteranos fazem sucesso, é possível citar um dos líderes da grande campanha gremista, o meia Tcheco (32 anos), o zagueiro e capitão do Fla, Fábio Luciano (33) e os goleiros Marcos (35), Rogério Ceni (35) e Harlei (36).
A boa forma dos vovôs da bola alivia um pouco a falta de jovens promessas que atuam no Brasil. Os clubes europeus não esperam mais os atletas subirem para os profissionais, já os contratam ainda nas categorias inferiores e os desenvolvem em solo europeu…
Enquanto os clubes não têm condições estruturais e financeiras para segurar suas promessas, os vovôs continuarão a brilhar pelos gramados brasileiros, fazendo com que os torcedores nem percebam que a idade está chegando para eles.
A coluna “Na jogada” é a coluna semanal de futebol do r!press, assinada por Felipe Matano e qualquer dúvida, informação ou sugestão, favor mandar e-mail para: rikardy@uol.com.br. Até mais!
Foto: Globoesporte.com
Pressão?
Publicado 8 outubro, 2008 r Rikardy Deixar um ComentárioTags: Brasília, Câmara, PMDB, Política, PT
Conforme notícia publicada hoje no UOL, o PMDB lançou seu candidato à presidência da câmara dos deputados, Michel Temer – presidente nacional do partido e que já presidiu a câmara no governo FHC – foi o escolhido dos peemedebistas. Curioso é que faltam 4 meses para a escolha de um novo presidente na câmara dos deputados, mas o PMDB pouco se importou e lançou a candidatura com a presença de ministros, senadores e, até mesmo, a presença do atual presidente, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Então o recado foi dado e já foi aceito, o PMDB quer a câmara e a terá, senão o atual presidente, que é do PT, não estaria presente na cerimônia. Os peemedebistas despistam, mas o que dá a entender que o senado eles poderão perder. Deixando entrelinhas através de seu líder no senado, Valdir Raupp (RO), que declarou que a prioridade, agora é câmara “porque lá [no Senado] o colégio eleitoral é menor, enquanto que o da Câmara é grande e a campanha tem que começar mais cedo”. Ou seja, ganha a câmara e perder o senado. Isso já é minha suposição, mas é aguardar os próximos capítulos, fato é que Temer será novamente o presidente da câmara.
Fonte: UOL
Foto: Agência Brasil